quinta-feira, 24 de abril de 2008

Uma borboleta no meu (?) jardim

Nas vastas planícies a descoberto que sobraram do terreno onde se erige a minha casa tem plantas pra caramba. Tudo plantado, adubado e cuidado pela minha esposa, Luísa Maria, que sempre demonstrou um grande carinho e uma dedicação ferrenha com todas elas, cuidando, verificando e controlando os gramados, os pingos de ouro, as bromélias, azaléias e outras tetéias, a touceira de um bambuzinho japonês, umas bananeiras malucas que dão cachos de flores vermelhas, dezenas de pés de antúrio, uma goiabeira que dá goiabas brancas pra cacete na época própria, um pé de abacateiro que já foi gigantesco mas que agora anda meio jururu em virtude da queda de todos os seus galhos superiores (pra minha economia, pois quando o desgraçado carregava e começava a largar aqueles baitas abacates sobre o telhado da minha carpintaria - pra hobby, que anda parada - quebrava umas vinte telhas todo ano), um pezão de unha de vaca, branca (Essa fui eu quem plantou, em 1975, e é oriunda de uma semente da sua mãe, que está plantada até hoje – Acho! – ao lado da área das mesas de ping-pong do refeitório da antiga IQR.), e mais uma dezena ou mais de flores e outras raridades próprias de uma verdadeira floresta. Ainda 1000 (?) tipos de ervas diferentes, para chás de tudo quanto é tipo e contra qualquer coisa, até para parafuso enferrujado.

É bacana essa atividade, mas normalmente me mantenho afastado de tudo quando é “mato” na minha própria casa, porque a minha mulher tem um ciúme que chega às raias da loucura pelas suas filhas do reino vegetal. Também pudera! Sempre que intervenho – e isso ocorre quando ela se ausenta por um ou dois dias de Resende - vou armado de foice, machado e facão, de enxada, picareta e chavanca. A poda radical, coisa que ela abomina, acontece cruelmente. Depois fico dormindo alguns dias perto da Croá, minha cadela boxer, na rede, na área da carpintaria...

Ah! Tem ainda um pé de pitanga e um de romã, o primeiro com o volume da sua copa muito bem controlado, o segundo com os seus galhos todos desgrelhados, e um pé de pimenta que – Gente, vocês precisam ver! – é maior do que o pé de pitanga, com uma altura aproximada de 1,5 m e copa com o mesmo diâmetro. E o fabricante de bolinhas verdes ardidas pra diabo produz o ano inteiro, para júbilo e pândega de sabiás, bem-te-vis, sanhaços, pardais e outros passarinhos, todos visitantes diários e bem-vindos no nosso mini-latifúndio. Bons pra eles também são os mamãos amadurecidos em três pés e que eu ia me esquecendo de incluir na ficha do estoque domiciliar.

Ora, pois! Onde tem muito “mato”, tem passarinhos e... borboletas.

E no último dia 21, feriado de Tiradentes, encontrei uma bela e enorme borboleta pousada sobre uma vara da moita do bambuzinho japonês, imóvel, com as asas fechadas, mas mostrando todo o seu esplendor e a sua beleza. Chamei rápido meu filho Ni, que apanhou a sua câmara fotográfica e bateu algumas fotos dela. Tentei abrir a asa dela para ver como era por dentro, digamos assim, mas que na verdade seria o lado superior do seu corpo, e também para fotografar mas, tão logo encostei nela, ela bateu asas e voou... voou pra nunca mais voltar. Mas o seu retratin ficou conosco. Óia só qui bunitinha:

Não é a primeira vez que essa espécie de borboleta aparece por aqui e após a sua fuga e transferida a sua foto pro meu PC, fiquei com uma coceira atrás da orelha que só sumiu, como a borboleta, depois que consultei o Google, essa ferramenta fantástica (Já pensarem se o Leonardo Da Vinci tivesse acesso a ela?) de pesquisa, e logo de cara achei o que queria: uma descrição da espécie da minha borboleta com foto e tudo o mais. Comparei a foto apresentada com aquela minha e não tive dúvidas: tudo batia.

Então fiquei sabendo que ela é conhecida como Borboleta Coruja, tendo o nome científico de Caligo eurilochus brasiliensis.

Apesar da referência brasiliensis, ela existe em toda a América do Sul, e somente nesse continente, sendo, em geral, muito grandes e estando entre as maiores de toda a região continental. Essa espécie é a maior borboleta do Brasil, podendo medir até 17 cm de envergadura, ou seja, de ponta a ponta das asas. Seus hábitos são crepusculares: permanecem pousadas em troncos durante o dia e voam de manhã ou nas últimas horas do dia, antes do anoitecer.

As fases de ovo, lagarta e pupa duram cerca de 3 meses e meio. O tempo de vida da borboleta adulta pode chegar a mais de 3 meses.

Essa espécie consegue safar-se dos predadores graças a sua semelhança com uma folha. Quando ameaçada, abre as asas de repente, revelando enormes olhos e empina o corpo. Para seu predador, a folha transformou-se em uma coruja, que é um dos maiores inimigos de pequenos animais. Aqui em baixo está a foto que capturei no Google. Reparem na incrível semelhança com a figura de uma coruja. Não poderia haver nome mais apropriado para defini-la: a senhora Borboleta Coruja.
E soltemos todos os passarinhos. Eles nunca praticaram crime nenhum. Por que prendê-los?

2 comentários:

Ju disse...

Oi Norival!!

Acho linda essa borboleta, me lembra o livro do Caso Da Borboleta Atilia da coleção vaga-lume lembra?..rsss
Sua casa deve ser maravilhosa, amo plantas.. meu sonho é ter uma chácara, quem sabe consigo né? :)
Linda a foto, seu filho está de parabéns!
Beijos a todos aí..
Ju(liana)

Norival R. Duarte disse...

Oi, Juliana!

Obrigado pela visita!

Infelizmente não li o livro das suas lembranças. Talvez um dia o encontre e o degluta.

Um bom fim de semana para você e sua família.

Abraços, Norival.