segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Oração do envelhecimento

Esta oração que recebi por email de um amigo parece que foi feita pra mim, por causa da minha idade, ou por quaisquer outros motivos ou desculpas, como quando, por exemplo, sinto que estou para partir desta para melhor - sem aviso prévio.

Puxo-a quando sinto uma sensação estranha, sobrenatural, de que, digamos, a qualquer hora, talvez no próximo minuto ou segundo, a qualquer momento, enfim, em qualquer lugar, posso bater as botas, mormente quando meu coração bate aceleradamente, descompas-sadamente, o que ele faz sem hora predeterminada e sem avisar, o que acontece sem nenhum motivo aparente, momentâneo ou anterior;

- o que ocorre tombém até de madrugada, quando acordo de um sonho ou pesadelo, sobressaltado, suado, olhos arregalados, mais esbuga-lhados do que somente arregalados, e boca e língua secas pedindo água, que está sempre na cabeceira da minha cama, do meu lado.

- quando, mecanicamente, no escuro, só estico o braço e pego a garrafa pelo gargalo. Esse é um dos momentos extras em que faço esta oração.

Faço-a, porém, normalmente, todos os dias, antes de me levantar, antes dos lanches das 9 e das 11 horas, antes de almoçar, antes dos lanches da tarde, às 15 e às 17 horas, antes do jantar, antes do lanche da noite, antes de me deitar, e, finalmente, ao me deitar. Nos momentos de ócio e meditação sobre o vaso sanitário, muita da tranquilo, sem ninguém pra encher o saco, puxo a dita cuja. Nesse instante de muita calma e serenidade, dá pra puxá-la umas duas ou três vezes.

Se acordar de madrugada também, para fazer xixi ou mesmo cocô, aproveito e faço-a mais uma vez, só para não perder o costume e criar um hábito. Ou um novo hábito

Pra mim será um novo hábito, porque o fumo já é o primeiro. Legal, né?

- Não, né legal, não! - Diz você, que não é fumante e detesta quem fuma.

Se você, por via das dúvidas, se enquadra num perfil semelhante ao meu, a vaga também pode ser sua. O prêmio é compensador:

- depois de partir, já lá no outro mundo, todos os dias serão como feriados

- será somente alegria, paz e felicidade pro resto da vida.

Isso, pra quem for pro céu. Já pra quem for pro inferno... Basta se lembrar do que os adultos lhe diziam sobre ele quando você era criança... O fogo eterno... As labaredas do pecado... O diabo com seus chifres e aquele rabão... E aquele tridente em brasa pra ficar espetando a gente!

Então, vamor rezar! Aleluia, Irmãos! Aleluia Senhor!

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Ó Senhor, tu sabes, melhor do que eu, que estou envelhecendo a cada dia.

Sendo assim, Senhor, livra-me da tolice de achar que devo dizer algo, em toda e qualquer ocasião.

Livra-me, também, Senhor, deste desejo enorme que tenho de querer pôr em ordem a vida dos outros.

Ensina-me a pensar nos outros e ajudá-los, sem jamais me impor sobre eles, mesmo considerando, com modéstia, a sabedoria que acumulei e que penso ser uma lástima não passar adiante.
(Essa é ótima! É ou não é, ô Mané?)

Tu sabes, Senhor, que desejo preservar alguns amigos e uma boa relação com os filhos, e que só se preserva os amigos e os filhos... Quando não há intromissão na vida deles.

Livra-me, também, Senhor, da tolice de querer contar tudo com detalhes e minúcias e dá-me asas no assunto para voar diretamente ao ponto que interessa.

Não me permita falar mal de ninguém.

Ensina-me a fazer silêncio sobre minhas dores e doenças. Elas estão aumentando e, com isso, a vontade de descrevê-las vai crescendo a cada dia que passa.

Não ouso pedir o dom de ouvir com alegria a descrição das doenças alheias: seria pedir demais. Mas, ensina-me, Senhor, a suportar ouvi-las com alguma paciência.

Ensina-me a maravilhosa sabedoria de saber que posso estar errado em algumas ocasiões. Já descobri que pessoas que acertam sempre são maçantes e desagradáveis.

Mas, sobretudo, Senhor, nesta prece de envelhecimento, peço: mantenha-me o mais amável possível.

Quero ainda, Senhor, e peço que anotes na Tua Sagrada Agenda, sublinhado, para chamar a Tua magnânima razão quando fores consultá-la, que antes da minha partida de encontro a Ti, perdoei a todos os meus inimigos e desafetos, os quais, de alguma maneira, algum dia, me foderam ou quiseram me foder, pra valer, ou mesmo só de sacanagem. Ficarei contente no céu em saber que eles ardem no fogo eterno do inferno, porque outras pessoas, como eu, que também foram fodidas por elas, prá valer, ou mesmo só de sacanagem, não os perdoaram, por esquecimento ou porque não tiveram tempo de fazê-lo.

Livrai-me de ser santo. É difícil conviver com santos! Mas um velho ou uma velha rabugentos, Senhor, é obra prima do capeta!

Me poupe!

Amém!

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Fonte: De um email que me foi enviado pelo meu amigo Paulo de Tarso, cuja oração anexada nele foi devidamente adulterada por mim, para que ficasse adequada à minha situação no cosmos, dentro do circulo dos meus pecados e minhas idiossincrasias..

- I bibida prus músicus!

2 comentários:

HELO disse...

OI BOA NOITE!
Conhecendo teu blog!
Adorei texto e poesia!
Indo conhecer os outros textos, parei logo nesta interessante oraçao.Afinal o tempo é implácavel, envelhecer todos vamos, e que seja com diginidade , náo com :>rabujice:<!
grande abraço
heloisa crosio

Norival R. Duarte disse...

Salve, Helo!

Bastante atrasado, mas mesmo assim agradeço o envio do seu comentário sobre a minha postagem "Oração do envelhecimento", que a agradou.

Apareça mais vezes!

Grande abraço.