segunda-feira, 23 de março de 2009

Uma rua bagunçada em Resende







Tem momentos nos quais me sinto morando numa rua da periferia de Tóquio ou outra grande cidade japonesa, em cujas calçadas são abandonados móveis, colchões, sofás, tvs, aparelhos de som, geladeiras, eletrodomésticos, talvez até penicos, e tudo que seja “velho” ou cuja tecnologia tenha sido superada, ou que os japas que os jogaram ali tenham ficado enjoados com a sua cor ou uma outra picuinha particular qualquer. Li, em algum lugar, que lá existe uma empresa tocada por brasileiros niseis, nisseis, ou sanseis, ou sei lá o quê, que recolhem esses trambolhos e os vendem pra outros brasileiros, cheios e ansiosos de expectativa de acumularem alguma merreca pra depois a queimarem quando voltarem pro Brasil, comprando-os, porque a maioria desses trambolhos (os objetos, não as pessoas) se encontra em bom estado de conservação ou mesmo em perfeito funcionamento.

É sinal da riqueza do povo daquele país. Assim, por extensão, poderíamos dizer que o povo brasileiro também está ficando rico, ao abandonarem nas nossas ruas trambolhadas de todos os tipos, semelhantes às dos japoneses, pelas nossas ruas e calçadas?

– Leda ilusão! O que ocorre é que fizeram desta calçada da minha rua – Rua Prefeito Arnaldo Duarte, Bairro Manejo - exatamente a calçada pela qual ando pra ir e voltar pro e do meu botequim, uma verdadeira lixeira (foto 1), estando sempre entulhada de bagulhos dos mais diversos tipos, como móveis, colchões, restos de construções, tratando-se de lixos não recolhíveis pelo serviço de coleta municipal. Serve ainda como depósito de areia e outros que tais para obras tocadas nas residências de moradores da rua.

Antes que me esqueça, devo dizer que os dois distintos sofás foram devidamente levados dali em menos de duas horas, período entre a tomada da foto e a saída seguinte da minha casa até o botequim.

Ontem, um mês depois da tomada da foto daqueles sofás, fotografei novo descarte no mesmo local da rua, desta vez com três carcaças de máquinas de lavar roupas, completamente explodidas (foto 2). Só não deixaram os motores e já faz mais de uma semana que as tranqueiras permanecem ali. Os catadores de trambolhos ou de ferro velho não estão, seguramente, interessados nos enferrujados dejetos, talvez por causa de seus volumes.

Ao lado dos senhores sofás da primeira foto, temos esta outra imagem mostrando uma tentativa heróica de sobrevivência de alguns capins exclusivos da Mata Atlântica (foto 3), o que é lindo, mas que também atravanca a calçada de tal forma que, como no caso anterior, a sua destinação principal – o trânsito de pedestres – é impossível!

Hoje cedo, como a prever toda a minha ira, todo o ódio enrustido no meu coração e antes que tudo isprudisse, veio um funcionário da prefeitura - Unzinho apenas! - com uma maquineta de corte movida à gasolina e deu uma podada muita da sem-vergonha (Era assim! E agora: senvergonha ou semvergonha?) no matagal. Vejam na foto 4 como ficou o trabalho executado, que deveria ser acompanhado de uma bela capinada, ora pois!

A lagoa da foto 5 parece ser de caráter permanente, mormente com toda essa chuvarada do verão que se foi e as do outono, que mal começaram. E tome mais capins da Mata Atlântica! Também obrigam os pedestres a andarem pela rua.

O pedestre, o cidadão, malgrada a sua paciência de descer o meiofio e caminhar junto a ele pela rua, tem de se conformar com a negligência dos serviços municipais responsáveis pela manutenção das vias públicas, calçadas incluídas. E o desatino não para por aí: a todo o momento, veículos estacionam de ambos os dois (Eita, coisa bonita, sô! He-he!) lados da rua (foto 6), oferecendo como opção aos destemidos pedestres a caminhada pelo meio da mesma, a disputar por espaço com eles no tráfego da dita cuja. E neste ponto reside uma das características principais dela: é uma via de acesso que ganha importância pelo significativo movimento de veículos nos rushs diários que demandam para a ou da Avenida Cel. Mendes, que por sua vez é uma das vias de maior movimento de Resende.

Não se tratasse de uma rua estreita, com suas calçadas também estreitas, esses pobremas não existiriam, seguramente. MAS SE ESSA CALÇADA FOSSE LIMPA PERIODICAMENTE, os pedestres não teriam do que reclamar e, por conseguinte, não precisariam correr o risco de serem atropelados num momento de descuido, tanto deles quanto de motoristas igualmentemente descuidados.

Como se já não bastasse a estreiteza das calçadas, a que fica do outro lado da rua tem mais um (Um não, vários!) postes da companhia telefônica que, sozinhos, impedem o passagem dos pedestres pela calçada (foto 7). Some-se a eles a lixarada deixada aos pés deles e a parada de carros logo em suas frentes, o que também obriga o pedestre a caminhar pelo meio da rua, com todos os riscos de atropelamento e morte com esmagamento do cérebro, ou quebra da espinha na 3ª vértebra, pra ficar paraplégico logo de uma vez, ou trituramento de fêmures ou de tíbias, tudo descansando sobre uma baita poça de sangue ou tripas esparramadas pra tudo quanto é lado!

E na foto 8, o mais novo símbolo de desrespeito de uma empresa estadual, a CEG, para com os moradores, não apenas desta rua, mas para com todos os habitantes de Resende, pois a dita cuja, ao passar os tubos para condução do gás, há alguns anos, precisou abrir uma valeta para em seguida enterrá-los. Para isso, teve que retirar primeiramente os paralelepípedos das áreas selecionadas. No final, com os tubos enterrados, meteu asfalto sobre as valetas, e apenas sobre elas, desbonitando por completo o que já não era coisa nenhuma que merecesse palmas. Pelo contrário: proporciona-nos, sim, homéricas topadas, principalmente pros bebuns e pras pessoas idosas que por ela transitam. Eu já vi uma senhora de uns 80 anos, que seguia pra missa na Igreja Santa Cecília, que fica pertinho da minha casa, dar uma big tropicada num dos muitos paralelepípedos salientes do calçamento, cair e, para meu espanto, soltar um alto e justificado “- Filho-da-puuuuta!”. Até os santos que estavam em seus altares no interior da igreja, ao ouvirem tal e tão sincera exclamação, pularam fora, correram e se esconderam na sacristia!

A parte asfaltada pela CEG está sempre toda esburacada, fenômeno que se acentua com as chuvas; a CEG deveria deixar a rua com o calçamento original ou asfaltar toda a rua; a prefeitura deveria cobrar uma dessas atitudes da CEG.

E chega, por hoje, de falar dos pontos negativos da minha rua. Quando descobrir algum positivo, bolo nova reportagem!

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I bibida prus músicus!

5 comentários:

Conceição Duarte disse...

Nori,
façamos um movimento aqui, e assinamos nos comentários e vc anexa tudo e envia para a prefeitura... Colocamos a cidade de onde somos, como eu por exemplo de São Paulo, e desta forma ficamos sabendo todos, que a sua rua e muito da sua cidade está uma p. esculhambação! Que zona é essa? Cadê o prefeito que não coloca ordem na bagunça? Por estas e outras é que voltam as doenças que ja estavam erradicadas neste país.

Inclusive, combater a bendita dengue, as pessoas não se tocam e deixam água parada em suas casas nas plantas, etc. Putz, assim, não vamos chegar a lugar nenhum! Pau nesse prefeito. Foi eleito pelo povo e ele deve, sim, uma satisfação para vcs!
Faça isso, eu te ajudo, e um passa para o outro e anotamos bem o nome deles...
Um beijo e sorte aí na sua vida!
E limpeza da sua rua, e na sua vida, ao menos em volta dela..

Bjus CON

Norival R. Duarte disse...

Calma, Conceição!

Não votei no atual prefeito e os problemas da minha rua existiam quando da gestão do anterior, em quem tasquei o meu voto.

No interior, a caravana anda em passos diferentes da capital. Basta dar uns 80 telefonemas para algum SEALCO (Secretário de Alguma Coisa), que normalmente é um conhecido nosso, ou de algum amigo, que eles providenciam algumas providências providenciais.

Um bom dia pra você e um grande abraço.

Anônimo disse...

Grande reportagem Norival. Quando será que algum político vai perceber que nós, além de cidadãos, somos eleitores? Coisas assim a gente não esquece, né mesmo? Eu sei como você se sente. Agora, cá pra nós: Não custava também a população ser um "cadinho" mais educada, não acha? Vai jogar sofá e outras "trapizongas" lá no festival do Penedo, que ainda por cima, dá prêmio... Oras bolotas.
Parabéns, amigo.

Anônimo disse...

Grande reportagem Norival. Quando será que algum político vai perceber que nós, além de cidadãos, somos eleitores? Coisas assim a gente não esquece, né mesmo? Eu sei como você se sente. Agora, cá pra nós: Não custava também a população ser um "cadinho" mais educada, não acha? Vai jogar sofá e outras "trapizongas" lá no festival do Penedo, que ainda por cima, dá prêmio... Oras bolotas.
Parabéns, amigo.

Fernando Lemos (Esqueci de assinar...rs...rs..rs...)

Norival R. Duarte disse...

Caro Fernando:

Deixemos os políticos pra lá! Quanto aos moradores da rua, fico constrangido de meter o pau em alguns deles, responsáveis pela bagunça que fazem nas calçadas da mesma, de certa forma, contumaz. Mas é tudo gente fina e solidária nos momentos de aperto.

Grande abraço.